Alô, alô Amazônia dá voz ao povo ribeirinho
Desde a sua estréia, o programa Alô, Alô Amazônia, levado ao ar diariamente pela Rádio Difusora de Macapá, funciona como um elo entre os moradores das regiões ribeirinhas — onde o rádio é o principal meio de comunicação — e quem mora em Macapá, a capital do Amapá.
Os moradores do interior do Amapá e os municÃpios marajoaras de Breves e Chaves têm um compromisso inadiável todas as tardes com o programa, que é um dos mais antigos do rádio amapaense e se tornou uma espécie de pombo-correio eletrônico.
É a voz do interior retratada em mensagens de todos os tipos: são recados de saudade, notas de falecimento, cobranças, felicitações de aniversário, além de outras facetas do cotidiano ribeirinho. São mensagens por vezes Ãntimas, pessoais, que em boa parte, só se tornam públicas pela necessidade de comunicação.
É esta voz do interior que está sendo levada para as telas por meio do documentário “Alô, Alô Amazôniaâ€?, dirigido por Gavin Andrews, que conta com festa de lançamento no Teatro das Bacabeiras, dia 16 de março as 19h30. O projeto é o representante amapaense da terceira edição do Doctv e mostrará histórias curiosas de quem mora nas comunidades ribeirinhas, isoladas e de difÃcil acesso, tendo como pano de fundo as mensagens divulgadas pelo programa de rádio.
“Seja para anunciar a chegada de um familiar ao seu vilarejo ou convidar a vizinhança para a festa da padroeira local, o programa tem o papel fundamental de unir as pessoas mais distantes da região�, afirma Andrews. Para o diretor, as filmagens do longa-metragem funcionaram como uma espécie de viagem de descoberta dos hábitos, cultura, cotidiano e, em especial, das dificuldades enfrentadas diariamente pelo povo ribeirinho. No rio Canivete em Breves/PA, por exemplo, a equipe ouviu o relato de uma criança atingida por paralisia infantil, ainda este ano; a vacina não havia chegado.
Mas o filme não é um documento denúncia. “Fomos atrás de mensagens as vezes curiosas, outras vezes aparentemente banais, e contamos muito com o fator surpresa. Cada viagem, cada personagem que a gente encontrava dava sempre uma nova direção para o filme, uma nova visão de como perceber o cotidiano tão peculiar do cabocloâ€?, conta o cineasta. O filme, registrado em vÃdeo de alta definição, captou momentos do dia a dia, festas religiosas e profanas, histórias de saudades ou de um ente querido que não dá notÃcias há muito tempo, a forma de lidar com a distância e o isolamento. A grande surpresa foi o surgimento, em diversos momentos, de mensagens de consciência e otimismo pelo futuro da Amazônia.
Vanessa GabrielÂ
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- Published:
- 03.28.07 / 8am
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